Bloco empresarial é contra fatiar ferrovias do Sul e lembra que foi proposta da Rumo, criticada por concessão "parasitária"
Em manifestação à ANTT, setor empresarial rejeita o fatiamento da Malha Sul, acusa anos de subutilização da ferrovia e lembra que a proposta nasceu da própria Rumo, criticada por manter uma concessão considerada "parasitária".
Após ter participado por horas da audiência pública em Porto Alegre, o presidente do Bloco Empresarial Gaúcho (e também da Federasul), Rodrigo Sousa Costa registrou por escrito à Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) a preocupação com a condução do leilão das ferrovias. O documento foi enviado à coluna, com quem o empresário conversou novamente sobre o assunto. É contrário a fatiar a Malha Sul em três trechos, conforme proposto pelo governo federal. Além de entender que deixaria Rio Grande do Sul e Santa Catarina desamparados reforçando a preferência por Paraná, levanta a desconfiança por esta proposta ter sido feita pela Rumo antes mesmo de ser apresentado o plano de concessões pelo governo federal.
— É a empresa que escolheu um modelo de gestão parasitária — critica fortemente Costa.
Difícil encontrar alguém que defenda a atuação da Rumo no Sul além dos representantes dela mesma, que não dão entrevista. Mas a Federasul tem sido particularmente forte em suas críticas. A Rumo comanda a concessão de três décadas, tempo no qual a Malha Sul sucateou e acabou depois quase destruída pela enchente. Ficou isolada do resto do país e apenas com um trecho funcionando, o de Cruz Alta. Logo depois, a Rumo ainda retirou trilhos que sobreviveram aqui para levar a outros Estados, sem devolvê-los.
No documento, Costa defende o subsídio federal para atrair investidores ao leilão.
— Trata-se também de ressarcimento de uma estrutura pública essencial, desmantelada sob a supervisão complacente do governo federal — segue o presidente da Federasul.
O leilão, inicialmente previsto para 2026, tem chance mesmo de ocorrer só em 2027. O Rio Grande do Sul, aliás, tem que recuperar o tempo em que ignorou a situação e agilizar o estudo que pretende usar para contrapor o da Infra S.A. que sugere a divisão da malha. Ainda não houve a contratação da empresa, que, depois, terá cinco meses para apresentar a primeira parte e a conclusão sairia somente em oito meses.
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