Novo furto de componentes da ferrovia em Cambará é o terceiro caso de 2026 e ameaça trabalho de preservação realizado por voluntários
Furto de componentes da ferrovia em Cambará é o terceiro caso de 2026
A ferrovia do Ramal Londrina–Ourinhos (EF-369) voltou a ser alvo da ação de criminosos. Na última terça-feira (4), foi constatado o furto de fixações dos trilhos no Km 23+785, em Cambará (PR). Este é o terceiro registro de furto de componentes da via permanente somente em 2026 na mesma região, evidenciando a vulnerabilidade do trecho e a necessidade de medidas urgentes para proteger esse patrimônio público.
As fixações são peças fundamentais da via permanente, responsáveis por manter os trilhos firmemente presos aos dormentes. A retirada desses componentes compromete a estabilidade da infraestrutura, acelera sua degradação e aumenta significativamente os custos de recuperação da ferrovia.
Os registros apontam uma preocupante reincidência. Em março deste ano, duas ocorrências de furto de fixações já haviam sido identificadas entre Cambará e o distrito de Marques dos Reis, também no Ramal Londrina–Ourinhos. O novo caso confirma que os crimes continuam ocorrendo na mesma região, ampliando os prejuízos à infraestrutura ferroviária e evidenciando a necessidade de reforço nas ações de fiscalização e proteção patrimonial.
Trabalho voluntário prejudicado
Além dos prejuízos materiais, o novo furto atinge diretamente o trabalho desenvolvido pela Brigada de Preservação de Linha Férrea (BPLF), grupo formado por amigos voluntários que realiza ações de preservação nos trechos ferroviários de Quatiguá, na região de Jacarezinho, e de Cambará, promovendo serviços de roçada, limpeza da faixa de domínio, monitoramento e conservação da infraestrutura ferroviária.Enquanto voluntários dedicam tempo, recursos próprios e esforço para impedir que a ferrovia seja completamente tomada pelo abandono, criminosos seguem retirando componentes essenciais da via permanente, anulando parte desse trabalho e agravando a deterioração da infraestrutura.
Cada peça furtada representa não apenas um prejuízo financeiro, mas também um retrocesso para todos aqueles que acreditam na preservação da ferrovia e em seu potencial para voltar a cumprir sua função no desenvolvimento regional.
Patrimônio público sob ameaça
A repetição dos furtos demonstra que a ferrovia permanece desprotegida. O Ramal Londrina–Ourinhos integra a malha ferroviária federal concedida e possui relevância estratégica para o sistema nacional de transportes.
A continuidade dessas ações criminosas dificulta futuros projetos de recuperação e reativação da linha, além de comprometer um patrimônio histórico, logístico e econômico construído ao longo de décadas. Cada novo furto representa um obstáculo adicional para a preservação da malha ferroviária e aumenta os custos necessários para sua futura recuperação.
Providências serão adotadas
Diante da gravidade da situação, a Comunidade ABP Ferrovias protocolou, na última terça-feira (5), representações junto ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF), à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Rumo, solicitando a apuração dos fatos, a identificação dos responsáveis, a reposição dos componentes furtados e o reforço das medidas de proteção patrimonial no trecho.
Nas representações encaminhadas, a Comunidade ABP Ferrovias destaca o caráter reiterado dos furtos, uma vez que três ocorrências foram registradas em 2026 na mesma região, incluindo duas registradas em março entre Cambará e o distrito de Marques dos Reis e a mais recente no Km 23+785. A entidade solicita que os órgãos competentes adotem medidas preventivas mais eficazes para interromper a sequência de crimes que vem comprometendo a preservação da infraestrutura ferroviária.
Preservar é um compromisso coletivo
A preservação ferroviária depende da união entre sociedade, poder público, concessionária e voluntários. O trabalho realizado pela Brigada de Preservação de Linha Férrea (BPLF) demonstra que há cidadãos dedicando tempo e recursos próprios para conservar esse patrimônio, mas nenhuma iniciativa voluntária consegue prosperar se a infraestrutura continuar sendo alvo de furtos e vandalismo.
É fundamental que os responsáveis pela segurança e fiscalização da malha ferroviária adotem medidas eficazes para impedir que novos crimes ocorram. Proteger a ferrovia é preservar a história, a infraestrutura pública e as oportunidades de desenvolvimento que ela pode voltar a proporcionar às futuras gerações. Somente com a atuação integrada da concessionária, dos órgãos públicos e da sociedade será possível interromper a sequência de furtos que vem comprometendo o futuro do Ramal Londrina–Ourinhos.
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