Imagem que circula nas redes sociais afirma que a Rumo estaria se despedindo da Malha Sul e que a concessão teria sido vendida para a empresa chinesa. Informação, porém, não foi confirmada e mistura fatos reais com uma conclusão falsa.
Uma imagem com aparência de comunicado corporativo da Rumo vem circulando nas redes sociais e causando dúvidas entre trabalhadores, ferroviários e entusiastas do setor. A publicação afirma que a Malha Sul estaria sendo vendida para a COFCO e que a atual estrutura da Rumo estaria chegando ao fim.
A informação, entretanto, não procede.
A apuração realizada pela ABP Ferrovias encontrou fatos reais que podem ter servido de origem para o boato, mas não há evidência de que a concessão da Malha Sul tenha sido vendida para a COFCO.
Imagem que estava circulando nas redes sociais.
O que existe de verdade?
Existe, sim, uma negociação envolvendo a Rumo, a Cosan, a COFCO e a Bunge.
A Cosan, acionista da Rumo, colocou no mercado uma participação de aproximadamente 15% da Rumo, avaliada em cerca de R$ 5 bilhões. Entre os interessados aparecem o Grupo México e a COFCO, em proposta conjunta com a Bunge.
Portanto, a operação discutida no mercado é uma possÃvel mudança na composição acionária da Rumo, e não uma venda direta da concessão da Malha Sul.
Essa diferença é fundamental.
Comprar participação acionária na Rumo não significa comprar a concessão ferroviária da Malha Sul.
E o que acontece com a Malha Sul?
A situação da Malha Sul é outra.
A concessão atualmente continua vinculada à Rumo Malha Sul, enquanto o Governo Federal conduz o processo para definir o futuro da ferrovia após o término do contrato atual.
O contrato da Malha Sul vence em março de 2027, e o governo trabalha em uma nova modelagem para a concessão. O projeto prevê a divisão da malha em corredores, incluindo Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
Ou seja, o futuro da Malha Sul ainda está em definição.
Não existe, até o momento, anúncio oficial de que a concessão tenha sido transferida para a COFCO.
Mas houve demissões na Rumo?
É justamente aqui que o assunto ganha um novo elemento.
Nos últimos dias, começaram a circular informações sobre uma redução significativa do quadro de funcionários da Rumo, envolvendo áreas ligadas às operações ferroviárias.
Relatos apontam que cerca de 600 colaboradores teriam sido desligados na quarta-feira (2), envolvendo a Malha Sul e a Malha Norte.
A ABP Ferrovias, entretanto, não encontrou até o momento uma confirmação pública da Rumo ou de entidade sindical que permita confirmar oficialmente o número exato de aproximadamente 600 demissões.
Por isso, esse dado deve ser tratado com cautela.
Caso confirmado, o movimento representaria uma redução significativa de mão de obra justamente em um momento de profundas mudanças na estrutura societária e regulatória da companhia.
Demissões não significam venda da Malha Sul
É importante não confundir os acontecimentos.
Mesmo que os desligamentos sejam confirmados, eles não comprovam que a Malha Sul tenha sido vendida para a COFCO.
A possÃvel entrada da COFCO e da Bunge no capital da Rumo é uma questão societária.
Já a concessão da Malha Sul é uma questão regulatória envolvendo a União, ANTT, Rumo e o futuro processo de outorga.
São processos diferentes.
Por que a COFCO aparece tanto nessa história?
A COFCO já possui uma relação importante com o setor ferroviário brasileiro e, particularmente, com a Rumo.
Em 2025, a empresa anunciou um investimento de R$ 1,2 bilhão na aquisição de 979 vagões e 23 locomotivas, que seriam utilizados em uma operação com a Rumo para transportar cargas até Santos.
Além disso, a COFCO vem ampliando sua presença no agronegócio brasileiro. Em 1º de setembro de 2026, por exemplo, a companhia anunciou a aquisição de duas usinas de açúcar da Bunge em São Paulo.
Portanto, existe uma aproximação real entre os grupos. Isso, porém, não significa que a COFCO tenha comprado a Malha Sul.
A imagem que circula é falsa?
Sim, no sentido de que apresenta como fato consumado algo que não foi confirmado.
A arte afirma:
“A Malha Sul está sendo vendida para a COFCO.”
Essa afirmação não encontra respaldo nas informações oficiais disponÃveis até o momento.
O que existe é:
Cosan → possÃvel venda de participação na Rumo → COFCO + Bunge entre os interessados.
E não:
Rumo → venda da Malha Sul → COFCO.
Essa diferença é fundamental para compreender o que realmente está acontecendo.
Um momento decisivo para as ferrovias do Sul
A confusão ocorre justamente em um dos momentos mais importantes da história recente da Malha Sul.
Enquanto a concessão atual se aproxima do fim, o Governo Federal discute o modelo da futura concessão e existe uma forte disputa em torno da proposta de dividir a malha em diferentes corredores. Estados, entidades empresariais e representantes do setor ferroviário têm manifestado preocupação com o chamado “fatiamento” da ferrovia.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha atentamente a possÃvel mudança na composição acionária da Rumo.
E agora surgem relatos de uma nova onda de desligamentos de funcionários.
São acontecimentos que merecem acompanhamento, mas não devem ser misturados como se fossem uma única operação.
CONCLUSÃO
FAKE NEWS: ❌ “A Malha Sul foi vendida para a COFCO.”
FATO: ✅ COFCO e Bunge estão entre os interessados em adquirir uma participação de aproximadamente 15% da Rumo.
FATO: ✅ A concessão da Malha Sul continua em processo de definição para o perÃodo posterior ao contrato atual.
RELATO AINDA NÃO CONFIRMADO OFICIALMENTE: ⚠️ Cerca de 600 trabalhadores teriam sido desligados da Rumo na quarta-feira (2), envolvendo as operações da Malha Sul e da Malha Norte.
Portanto, a imagem que circula nas redes sociais não deve ser compartilhada como um comunicado oficial da Rumo.
A ABP Ferrovias continuará acompanhando as negociações envolvendo a Rumo, a COFCO e a Bunge, além do processo de definição do futuro da Malha Sul.
O futuro das ferrovias do Sul está em jogo, e informação precisa e responsável é fundamental.
Comentários
Postar um comentário