Concessão será dividida em dois lotes e abrangerá cerca de 733 quilômetros entre Minas Gerais e Rio de Janeiro
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou em audiência, nesta quinta-feira (27), a versão definitiva do edital de concessão do corredor ferroviário Minas-Rio. De acordo com a modelagem prevista no edital, a operação, que atualmente é realizada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), será transferida para um futuro operador, que vai assumir as obrigações de manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura.
Além disso, o vencedor deverá apresentar, em até dois anos após assumir a malha, um plano de recapacitação, recuperação e modernização da ferrovia. O projeto, que será ofertado em dois lotes, abrange um total de cerca de 733 quilômetros de extensão. O primeiro lote compreende o ramal entre Iguatama (MG) e Barra Mansa (RJ), além do trecho que liga Varginha (MG) a Lavras (MG). Já o segundo lote liga Barra Mansa a Angra dos Reis (RJ).
A diretoria da ANTT ainda aprovou ajustes procedimentais no edital, tais como alterações nas regras da etapa de viva-voz do leilão. Depois de discussão entre os diretores da agência, ficou estabelecido que, desde que haja até três participantes, todos poderão seguir para a fase de lances verbais independentemente da diferença entre as propostas apresentadas. Acima desse número, um critério de corte baseado em percentual de diferença em relação à melhor oferta será aplicado.
Minas-Rio como referência de futuras concessões
As alterações não modificam elementos estruturais da modelagem econômica, jurídica ou técnica previamente analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo a diretoria da ANTT, as mudanças têm caráter meramente procedimental. Durante a reunião da diretoria colegiada, a agência também reconheceu o cumprimento integral das determinações e recomendações feitas pelo TCU para a modelagem do projeto.
“O corredor Minas-Rio servirá como referência para futuros chamamentos públicos de autorização ferroviária. Esse é o primeiro caso que se transforma num lead case, numa referência para todos os futuros chamamentos públicos que virão para autorização”, disse o relator do processo e diretor da ANTT Marcelo Fonseca.
Na visão do diretor, o projeto representa uma inovação por tratar da exploração de trechos já existentes e anteriormente operados sob regime de concessão, diferentemente das autorizações ferroviárias já emitidas após a aprovação do novo marco regulatório, voltadas majoritariamente a projetos greenfield.
O diretor da Agência Lucas Asfor ressaltou que a concessão é um “passo muito importante na concessão de todas as ferrovias do País” e mostra o quanto o Brasil está avançando no modal ferroviário. Já o diretor da ANTT Alex Azevedo pontuou que esse trabalho garante uma atualização das normas e disse que o Brasil terá uma “malha ferroviária integrada e interoperável do tamanho e com a qualidade que o povo brasileiro precisa”.
VEJA TAMBÉM;
- O Incidente dos "8 Loucos" (CSX 8888)
- TCP e Brado concluem obra de ampliação de ferrovia em Paranaguá
- Bloco empresarial é contra fatiar ferrovias do Sul e lembra que foi proposta da Rumo, criticada por concessão "parasitária"
- Novo furto de componentes da ferrovia em Cambará é o terceiro caso de 2026 e ameaça trabalho de preservação realizado por voluntários
- ANTT prorroga prazo para contribuições à concessão da Malha Sul
- Investimentos em ferrovias na China aumentam 1,8% nos primeiros sete meses do ano, somando R$ 370 bilhões
- ANTT prorroga até 30 de setembro prazo para contribuições sobre concessões da Malha Sul

Comentários
Postar um comentário